A QUESTÃO EMOCIONAL NO DIABETES

O diabetes mellitus é uma doença crônica, caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), acima da taxa normal de 60 a 100mg/dl. É causada por fatores genéticos (herdados) e ambientais; aliado a isto, fatores como obesidade, infecções bacterianas ou viróticas, má alimentação, traumas emocionais, gravidez podem fazer com que a doença se manifeste mais cedo. Atualmente, o diabetes é uma doença que atinge milhões de pessoas, com a estimativa mundial de 236 milhões em 2010. Diante disto, há uma considerável população que convive com uma doença crônica, e que pode levar a sérias complicações e comprometimento da qualidade de vida do indivíduo diabético, quando não há um controle adequado.
O tratamento médico apenas não é suficiente para tratar e controlar a doença, evitando as complicações, pois além de exames e medicamentos, também é necessário reeducação alimentar, exercícios físicos, equilíbrio emocional; aspectos que interferem diretamente sobre a doença, descontrolando-a e agravando o quadro, devendo então o diabetes ser abordado de forma multidisciplinar.
A maneira como o diagnóstico é comunicado pode influenciar no tratamento. A verdade deve ser dita, sendo que medo, insegurança, revolta e recusa ao tratamento costumam ser reações comuns diante de um diagnóstico de diabetes. Há uma tendência de o paciente sentir-se pior do que os outros, o único com problemas e a procurar culpas que não existem, como se o diabetes fosse uma punição.
Desta forma, é necessário refletir a respeito da influência destes aspectos emocionais no diabetes e a importância do atendimento psicológico para os portadores.
Considerando o diabético como uma pessoa com identidade, sonhos e medos, o apoio psicológico é essencial, pois com o diagnóstico alguns se sentem extremamente limitados o que muitas vezes gera tristeza, pensamentos do tipo “não tenho mais o direito de viver bem”, isolando-se do grupo social em função das concepções errôneas a respeito do diabetes.
Todo ser humano sente medo diante de mudanças, o que gera insegurança, pois não sabe como será o novo. Assim é quando se casa, quando se tem filhos, quando se muda de emprego, a dinâmica da vida sofre alterações, bem como, “ficar diabético”. Ser portador de diabetes implica em fazer mudanças nas atividades da vida diária. No entanto, para ter vida saudável é necessário resolver os conflitos internos, buscando auto-estima adequada.
Muitas vezes, o paciente tem consciência do quão importante é o bom controle da doença, das conseqüências do controle inadequado, mas ainda não se cuida e sabota o tratamento. Assim, não basta ter consciência da doença e suas complicações, pois a doença física atinge diretamente o emocional, e o emocional não é determinado somente por aspectos conscientes. É constituído também por questões profundas e inconscientes, as quais podem impedir o controle adequado do diabetes se não for aceito.
Acredita-se que o diabetes pode ser enfrentado de formas diferentes por cada indivíduo, dependendo da estrutura psíquica ou organização mental deste.
Há de se considerar, que o diabetes é uma doença decorrente de vários fatores(multifatorial), sendo que vários estudiosos consideram-na como doença psicossomática, ou seja, que sofre influência de fatores emocionais em sua origem.
No entanto, acredita-se que a diabetes seja desencadeada principalmente por fatores hereditários, mas que apenas o fator hereditário não seria suficiente para causar a doença, sendo que esta se manifesta diante de mudanças exteriores significativas, com o valor de trauma, porém só o trauma não seria responsável pelo surgimento da doença.
Geralmente, os sentimentos que acompanham o adoecer crônico são negativos, produzindo grande abalo na auto-estima, já que as pessoas ao depararem com algo diferente e invasivo demonstram sentimento de inferioridade, medo, raiva, revolta, frustração, ansiedade, negação da situação, regressão e depressão. Desta maneira, as alterações na glicemia e na evolução da doença no âmbito geral, podem ter interferência de fatores emocionais e afetivos.
A família do paciente diabético também enfrenta a ansiedade diante das mudanças na vida diária e dos cuidados exigidos pelo tratamento, entretanto o apoio emocional e social desta é fundamental para a implementação e aceitação do novo estilo de vida.
Tomar consciência das próprias necessidades é conhecer as próprias limitações e potencialidades para poder superar as dificuldades, buscando alternativas para saber o que é bom para si e para aqueles que nos rodeiam.
O apoio psicológico é importante a todas as pessoas que sentem necessidade de se conhecer e lidar com situações cotidianas de forma satisfatória e produtiva.
Muitas pessoas têm dificuldades em adotar novos hábitos de vida. A psicologia vai trabalhar com as emoções, com as questões referentes ao novo estilo de vida, resgatar a auto-estima entre outras demandas. Além disto, profissional também vai mostrar os aspectos positivos da mudança de hábitos e a necessidade de se adequar para ter uma vida saudável.

Dicas importantes :*O diabético deve manter um equilíbrio emocional e contar com apoio social e familiar;
*Ter motivação pessoal, disciplina e força de vontade;
* Praticar atividade física regular;
* Realizar automonitorização da glicemia;
* Usar a medicação nos horários corretos;
* Alimentar-se adequadamente.

Sabrine Fernandes – Psicóloga da ADJF

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