O tratamento do paciente que convive com diabetes mellitus é complexo. Os cuidados não se restringem ao controle da glicemia. Tanto os pacientes diabéticos do tipo 1 quanto do tipo 2, muitas vezes, apresentam comorbidades ou complicações associadas à doença. Pressão e colesterol altos, problemas cardíacos e vasculares, acometimento dos olhos, nervos e rins são de amplo conhecimento. Porém, não infrequentemente, a saúde óssea do paciente diabético fica negligenciada. Isso pode elevar o risco de fraturas. Vamos entender porque.

Nos pacientes com diabetes tipo 1 existe deficiência absoluta de insulina. Além de ser importante para a captação da glicose pelas células, a insulina também tem efeito anabólico, ou seja, estimula o crescimento de diferentes tecidos do nosso organismo. Diversos estudos mostram menor densidade mineral óssea em pacientes com diabetes tipo 1. Além disso, crianças diabéticas acabam tendo um pico de massa óssea menor. Isto é, por formarem menos osso, têm uma “poupança óssea menor”, o que propicia o surgimento de osteopenia ou osteoporose em idade mais precoce.

No diabetes tipo 2, especialmente no início da doença, os níveis de insulina estão elevados. Isto acontece porque o pâncreas aumenta a secreção para tentar vencer a resistência à ação deste hormônio. Logo, pacientes com diabetes tipo 2 podem ter massa óssea aumentada. Mas não se engane! Este osso, apesar de parecer mais denso, na realidade é mais frágil. O diabetes, tipo 2 ou tipo 1, interfere nos mecanismos de remodelamento ósseo e na formação da matriz de colágeno. Isto quer dizer que a estrutura microscópica do osso fica comprometida. Imagine o pilar de uma ponte. A malha de aço é o colágeno e o concreto é o cálcio. Se a malha de aço não for boa, a ponte corre um risco maior de cair mesmo com concreto na quantidade certa. Nos nossos ossos acontece algo parecido. Por isso o diabetes aumenta o risco de fraturas independentemente da massa óssea (teor de cálcio).

Além disso, como dito no início do texto, muitos pacientes diabéticos, especialmente os de longa data, convivem com complicações. Diminuição da visão ou neuropatia podem aumentar o risco de quedas.

E quem cai com ossos frágeis, pode quebrá-los. Sem falar que o simples uso de alguns medicamentos para o tratamento da doença (glitazonas) pode aumentar o risco de fraturas.

Apesar do aumento no risco de fraturas, a avaliação da doença óssea no paciente diabético segue as mesmas recomendações dos pacientes não diabéticos. Além da avaliação clínica e metabólica, a densitometria óssea traz informações úteis para decisão terapêutica, que deve ser individualizada. Além do manejo adequado do diabetes, entre as opções de tratamento estão a suplementação de cálcio e de vitamina D e uso medicamentos que ajudam a preservar a densidade óssea, como os bisfosfonados. Exercícios físicos e prevenção/tratamento de complicações também são importantes para manter os ossos intactos.

Se você convive com diabetes, especialmente se há vários anos ou com complicações, procure seu médico e converse a respeito. Como tudo no diabetes, aqui a prevenção também é a melhor abordagem.

Fonte: Bone disease in diabetes mellitus – UpToDate OnLine

SBD Diabetes

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