As diretrizes e posicionamentos oficiais sobre o tratamento do diabetes constituem-se em valioso recurso de orientação na definição das melhores estratégias para o controle do diabetes. Por outro lado, existem alguns conceitos já arraigados desde há muitos anos e que precisam ser atualizados. O presente artigo aborda a possibilidade das principais diretrizes sobre tratamento do diabetes estarem retardando o necessário ajuste da conduta terapêutica, acabando por contribuir decisivamente para a inércia clínica.

A inércia clínica e a hesitação de muitos médicos em intensificar a terapia no tempo devido desempenham um papel importante em retardar o controle do diabetes. Entre outras orientações, o Posicionamento Oficial da American Diabetes Association / European Association for the Study of Diabetes (ADA/EASD) é uma diretriz altamente respeitável, com alto poder de influência sobre a comunidade médica em termos de interferir na definição de uma abordagem estratégica para superar o mau controle glicêmico.

Mas, por outro lado, esse documento contém uma recomendação que pode contribuir para a inércia clínica, uma vez que pode promover atrasos significativos na implementação de estratégias mais vigorosas, intensivas e eficazes para superar o mau controle glicêmico dentro de um prazo razoável durante a evolução da doença. Estamos nos referindo à questionável recomendação da ADA/EASD no sentido de só efetuar alterações na conduta terapêutica a cada três meses, ao invés de propor intervenções mais racionais e mais frequentes, objetivando contribuir para que o paciente atinja o bom controle glicêmico no menor espaço de tempo possível. O mesmo acontece com outros algoritmos respeitados de diferentes associações de diabetes.

Juntamente com as intervenções farmacológicas, é importante ressaltar o papel da educação em diabetes e de um acompanhamento mais intensivo da glicemia nas fases iniciais após o diagnóstico. Essas são estratégias fundamentais para o controle efetivo do diabetes. O principal objetivo de um controle mais rápido da glicemia é o de aumentar a confiança e a adesão do paciente às recomendações da equipe de cuidados com o diabetes. Resultados melhores e mais rápidos no controle da glicemia só podem ser alcançados de forma segura com a implementação conjunta de estratégias farmacológicas, educacionais e de automonitorização glicêmica estruturada, o que permitirá ajustes mais frequentes na terapia farmacológica até se atingir a melhor estratégia terapêutica para cada caso em particular.

Fonte: SBD

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