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PRIMEIRO PÂNCREAS ARTIFICIAL É APROVADO, SAIBA O QUE ESPERAR

28/10/2016

A provocação “saiba o que esperar” faz-se necessária porque o alarde foi massivo com a aprovação pelo FDA, há poucos dias, liberando o primeiro sistema híbrido de pâncreas artificial da história.

Muito se comemorou, e com razão, contudo pouco se falou sobre as características e limitações de tal sistema. Aqueles que acompanham de perto o desenvolvimento da tecnologia em diabetes notaram que o nome e o visual do equipamento Minimed 670G® assemelha-se muito aos já lançados 630G®, nos EUA, e 640G®, na Europa, Oceania e Chile. E, realmente, não é apenas uma coincidência. Esses modelos já lançados, mas que ainda não chegaram ao Brasil, contêm recursos importantes que permitiram chamar o 670G® de primeiro pâncreas artificial híbrido. O principal deles é o SmartGuard®, presente já no modelo 640G®, que considera a taxa de queda da glicemia para suspender a liberação de insulina 30 minutos antes de se aproximar do valor programado como limite entre glicemia alvo e hipoglicemia. Além disso, esse recurso volta a liberar insulina automaticamente a partir de 30 minutos depois, caso já não haja mais risco de hipoglicemia, sem que o usuário precise tomar qualquer atitude para isso.

Mas e então, quais as novidades do 670G®? As novidades começam pelo sensor, que passa a durar 7 dias (o atual dura 6) e possui sistema de redundância (dois sítios reativos, sendo que o valor da glicose só é apresentado se coincidir em ambos os sítios). Associado a isso está o novo algoritmo, que permite que, especialmente durante a noite, o sistema tome decisões sobre o aumento ou a redução da insulina basal liberada de acordo com a glicose medida pelo sensor (fase de sistema fechado). Isto é, caso seja detectada tendência de alta, o sistema passa a liberar mais insulina, a fim de evitar que seja atingido o limite de hiperglicemia; e, caso a glicose esteja baixando, a insulina liberada é reduzida ou suspensa, a fim de evitar hipoglicemia. Muito bem, mas e durante o dia? Durante o dia o sistema apresenta características semelhantes ao 640G® (fase de sistema aberto), porém aperfeiçoadas. Por isso se trata de um sistema híbrido (não totalmente fechado, como um pâncreas artificial ideal). Apesar de, especialmente durante a noite, o sistema fazer ajustes automáticos, durante o dia o sistema depende de instruções do usuário, a fim de liberar a quantidade adequada de insulina bolus para uma refeição; assim como reduzir o basal de insulina com antecedência, para a prática de atividade física, por exemplo. Portanto, nesse e em outros sistemas híbridos, a ação do usuário contando carboidratos, decidindo sobre doses, e a do profissional de saúde programando diferentes basais, fatores de sensibilidade e razões insulina/carboidrato, ainda não poderá se aposentar.

Outras empresas também estão de olho nesse atraente negócio de rápida evolução. Entre elas está a Animas®, empresa de bombas de insulina do grupo Johnson & Johnson®, que prevê para o fim do próximo ano o lançamento do sistema híbrido “Minimizador de Hipos e Hipers” (Hipoglycemia-Hyperglycemia Minimizer®). Sem contar o grupo independente Open APS, que, desde 2014, tem disponibilizado as instruções (algoritmo e lista de equipamentos necessários) para se fazer em casa um pâncreas artificial híbrido (sem garantia, mas que tem sido testado por pessoas de diferentes países, “por conta e risco”).

Para quem se interessou e já está querendo um, é bom saber que não há previsão para chegar ao Brasil. O sistema 670G® tem lançamento previsto inicialmente apenas nos EUA, entre os meses de março e junho (primavera do hemisfério norte), com indicação para quem tem a partir de 14 anos de idade.

Fonte: http://www.diabetes.org.br


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