A fim de criar um registro global sobre o diabetes e a COVID-19, um grupo internacional de pesquisadores desenvolveu o projeto CoviDiab Registry. O projeto é uma iniciativa conjunta da King’s College London (Inglaterra) e Monash University (Austrália), com outros parceiros em âmbito mundial, que objetiva sistematizar informações sobre a relação entre as duas doenças, sua extensão e características. No Brasil, a epidemiologista e endocrinologista Prof. Maria Inês Schmidt, membro do Departamento de Epidemiologia da SBD e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi convidada para participar da pesquisa e comentou sobre como as pessoas com diabetes podem ter uma rápida piora quando infectadas pela doença.

“Nos casos conhecidos, as pessoas com DM apresentaram uma piora importante do diabetes, que podia se manifestar em cetoacidose diabética (CAD) e síndrome hiperosmolar. Além disso, por outro lado, as pessoas que não tinham diabetes acabavam, por conta da COVID-19, desenvolvendo a doença”, pontua a médica.

Essas manifestações representam desafios significativos no manejo clínico e sugerem uma fisiopatologia complexa. O SARS-Cov-2 liga-se aos receptores que estão em vários órgãos e tecidos metabólicos importantes, incluindo as células pancreáticas, tecido adiposo, intestino delgado, fígado e rim. Deste modo, segundo a especialista, é possível que o vírus consiga causar diversas alterações coexistentes do metabolismo da glicose que podem complicar a fisiopatologia do diabetes pré-existente ou levar a novos mecanismos de doença.

Esses casos clínicos demonstram a importância de uma rápida captura de dados a respeito das diversas formas de como essa ligação pode ocorrer. Essa análise deve ser realizada por médicos e, posteriormente, traduzida em artigos a serem comunicados à comunidade internacional.

A professora explicou que qualquer médico pode participar desse projeto, por meio do site da iniciativa. O cadastro é realizado por meio do CRM e outros dados pessoais. “O profissional que identificar essas questões pode comunicá-las de forma totalmente anônima. O paciente é caracterizado apenas com um número singular de registro que possibilitará ao médico o acompanhamento do caso depois”, explica a especialista.

O intuito é que a colaboração continue até que dados concretos e de longo prazo sejam computados com análises periódicas programadas para explorar sintomas, características recém-diagnosticadas e dados demográficos.

Para outras informações ou acessar o sistema de registro de casos, basta acessar:

https://covidiab.e-dendrite.com/

Fonte: SBD

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